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Agosto... Mês de eventos relevantes!
Tudo começou com a
FLIP que, infelizmente, não pude comparecer como planejava.
(ahhh... ano que vem essa FLIP não me escapa, viu!? rs) Depois...
Palestra de Redes Sociais na Anhembi Morumbi e
Pocket Mídia na ESPM... Seguidos de
Fórum Internacional do Livro Digital e das mesas de discussão da
ANL... Agora, fechando o ciclo, vivemos os últimos dias da
Bienal Internacional do Livro em São Paulo, até o próximo domingo (22).
Respirar novidades e em ambientes tão distintos gera reflexão e nem há como fugir dela. Tudo transpira conhecimento, estímulo intelectual, inovação, quebra de paradigmas.

Sentada nas confortáveis cadeiras do
Auditório Elias Regina, rodeada dos caros colegas do mercado livreiro
(em sua grande maioria chocados com o Fórum Internacional do Livro Digital), os pensamentos brotavam diante da nítida diferença de "público". Me arrisco a dizer que se houvessem legendas abaixo do rosto de cada um, nos impressionaríamos com a dificuldade de aceitar o "novo".
Inevitável comparar...
Nos eventos da
Anhembi e da
ESPM, com auditórios tão lotados quanto aquele do Fórum, encontrei pessoas ávidas por novidades, tecnologias, ideias, revoluções. Não sou leviana ao afirmar que existiam mais notebooks, netbooks, smartphones e ipads do que GENTE! Enquanto
twittava pelo celular, clicava nas
#tags dos eventos e notava que todos postavam suas impressões em tempo real sobre o que ouviam. Disseminavam conteúdo. Ali ninguém tinha a intenção de esconder o que ouvia. Ao contrário, queriam mais! Queriam ideias novas, novas possibilidades de trabalho, novas conquistas num mercado que muda numa velocidade impressionante. Não era medo que figurava nos semblantes, era prazer!
Prazer mesmo. Prazer por participar da fase de transição em que vivemos, onde nada é certo e tudo é possível. Na realidade digital, ninguém pode prever nada. Todos aprendendo, mesmo os que passaram a vida toda em "formatos" de trabalho diferentes.
Curto o povo de publicidade, mídia, marketing e criação. Eles se arriscam, testam, inovam, se reciclam, se lançam sem medo porque o estímulo é o novo, o diferente. Foi essa galera que encontrei nas palestras dessas duas instituições de ensino fabulosas.
Gente antenada no futuro que já chegou por aqui!Mas... para quem não sabe... minha vida é o
LIVRO! Até o momento, o livro de papel.

Lógico que o processo do livro é pura arte, de "artistas" das mais diversas áreas que o constroem com perfeição e sempre buscam um diferencial. Mas... a verdade é que só de imaginar que ele pode "mudar", já faz com que os profissionais do livro sintam taquicardia e formigamento. Não é porque são caretas ou não estão preparados. É porque muitos construíram suas vidas sobre esses "papéis" que, mais dia ou menos dia, terão menor importância.
O público do Fórum Digital era composto por profissionais que, na sua maioria, não querem aceitar o que ouviram lá. Que livreiro consegue imaginar sua vida sem suas livrarias? Imagino o quanto doeu ouvir que as maiores livrarias dos Estados Unidos já estão diminuindo suas prateleiras e criando espaços para experiência digital com e-Books. É como se toda sua experiência escorregasse por entre os dedos, afinal, "disso aí" que está chegando, não entendem nada.
Pode parecer piada, mas ouvi um livreiro perguntando ao outro, no final da primeira palestra com o americano
Mike Shatzkin:
"E aí? Vamos vender pastel?" Falando nesse americano... O cara tem 48 anos de mercado livreiro americano, os cabelos grisalhos e bagunçados, e
NÃO LÊ EM PAPEL HÁ 2 ANOS, galera!!! Não é um moleque. Se fosse, teria sido apedrejado naquela noite. Era um experiente profissional do livro que lê
TUDO no seu iPhone, na mão, em qualquer lugar.
Os outros palestrantes (John Thompson e
Jean Paul Jacob) disseram mais ou menos a mesma coisa que ele, em outras palavras, sobre o
Apocalípse do Papel, enquanto os 'pobres' editores e livreiros tremiam agarrados aos seus lindos volumes. Ali ninguém
twittava (minto... eu e a PublishNews twittamos o evento todo. rs), nem sorria... mal se respirava!
Concordo... A nossa geração apaixonada pelo livro como é hoje, tem prazer em pegar um livro novo, colocá-lo bem próximo ao rosto e deixar rolar suas páginas só para sentir o cheirinho do papel. Eu, por exemplo, fico feliz só de olhar minha humilde biblioteca, só de ver aqueles lindos exemplares de obras fantásticas dispostos nas prateleiras, dando cor recheada de conhecimento e experiência ao meu quarto. Um e-Book não pode dar esses prazeres. Não mesmo!
Só que isso tem valor para a NOSSA geração. Difícil aceitar? Sim, mas é necessário. Nossos filhos não terão a mesma necessidade.
O que me preocupa é que o medo nos impede de agir. Meu mercado é de pessoas ricas em conhecimento, perfeccionistas, cultas, amantes de assuntos relevantes
(ok... nem todos! rs). Muitos tem mais tempo de mercado do que eu de vida. Tem o peso em ouro quando o assunto é experiência com livros
(e alguns são bem pesadinhos... rs). O problema é que estão com MEDO... Parados tentando agir como se o paradigma já não estivesse quebrado, como se isso tudo fosse "balela" e esse "negócio" de e-Book não tivesse espaço nesse mundo.
Só estão esquecendo um detalhe: possuímos o melhor de tudo,
CONTEÚDO!

Querendo ou não, preparados ou não,
o FORMATO vai mudar. É inevitável! Espera esse "aparelhinho dos infernos" ficar mais acessível e compatível pra você ver só! Agora... o CONTEÚDO é que fará a diferença sempre. Quem sabe gerar conteúdo relevante se manterá necessário. Óbvio que esta facilidade em disseminar livros aumentará a quantidade de porcarias literárias disponíveis, mas...
fazer o quê? Temos muitos livros de qualidade "duvidosa" nas prateleiras, não temos? Será uma enxurrada de livros, sim, que ninguém poderá frear.
Ah! Bobo quem pensa que o que move a aceitação do eBook no mundo é a consciência ecológica, a "dó" pelas milhares de árvores que viram papel. A motivação está na portabilidade, preço e acessibilidade. Não se enganem! É pensando nisso que precisamos refazer nossas rotinas e nos "reprogramar".
Nosso desafio é prender o interesse no conteúdo oferecido, agregar valor, oferecer produtividade, repensar ferramentas de marketing, reconstruir as "veias" que levarão nosso conteúdo ao leitor.
Anote aí! As palavras de ordem nessa fase de transição são:
CONTEÚDO,
RELEVÂNCIA,
RELACIONAMENTO e
COLABORAÇÃO.

Temos ainda uma noite e dois dias inteiros de Bienal do Livro aqui em Sampa. Mesmo sendo "rata" de Bienal, nunca me canso
(meus pés sim) de estar ali, com livros para todos os lados, alguns até de autores amigos, acompanhada dos caros colegas mercado que estão, como eu, buscando o melhor caminho. Esse sentimento delicioso, de relacionamento real, ninguém me tira e darei um jeito de levar às gerações futuras, mesmo que seja digitalmente.
rsQue venha o futuro!