Ana... na real!: sentimentos
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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sentimentos controversos

Hoje é um dia estranho, de sentimentos controversos. Todo 23 de abril acordo me perguntando se gosto ou não desse dia. Queria mesmo que fosse depois do meu aniversário, mas não... a vida é assim, momentos de aprendizado constante. Não adianta querer ou não, é desse jeito maluco que acontece. 


Hoje é o dia do aniversário do meu velho. 




Cada um tem com seus pais a relação que lhe compete. É particular demais. Da minha parte, nunca pude dizer que "Deus é Pai"; pra mim é "Mãe". Porém, sendo do jeito que for, tenho um pai e é por causa dele que tenho prédisposição a perdoar com facilidade, relevar até o que ninguém releva e caçar o lado bom das pessoas (sempre encontro). Se são qualidades ainda não sei dizer, ao menos sei que me ajudam a compreender os outros. Ele é o detentor do gatilho de várias das minhas reflexões e devo agradecer, pois é através destas que me conheço e 're'conheço melhor.


Meu pai é um cara legal, divertido, trabalhador, esforçado, inteligente, charmoso e somos irronicamente parecidos em muitos pontos. Quase metade da minha vida lhe dei parabéns por telefone, mas sempre vou desejar que seja feliz e aprenda mais sobre a vida. Ele tem defeitos? Ok... Também tenho. 


Bjo, pai!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ser ou não ser de ninguém?

...

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".

No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.

A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.

Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação".

Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida.
Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo, beijar de língua, namorar e não ser de ninguém.

Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.

Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho.

Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?

A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais.

Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir juntos abraçados, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter "alguém para amar".

Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição.

No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal juntos até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam.

A questão não é causal, mas quem sabe correlacional. Podemos aprender amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.

Recentemente alguém em especial, me escreve: "Pretendo fazer muitos "amigos", pouco importa o que pensem; quem são, importa sim somar", pois bem... - Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.

Arnaldo Jabor

Fonte: www.universodamulher.com.br

domingo, 21 de março de 2010

"...Longe dos olhos e dentro do coração..."

.


...SAUDADE... Palavra curiosa e sem tradução...

Será somente privilégio nosso saber o que significa? Será que alguém consegue defini-la plenamente?

A saudade traz de volta sensações, perfumes e sabores. Tudo está ali... Basta fechar os olhos que tudo vem à tona.

Tem poder milagroso sobre os sentimentos... os mantém em processo de maturação, de crescimento, de descoberta. Saudade remete à distância e à ela só o que é verdadeiro e forte sobrevive. Não é qualquer sentimento que pode ser, assim, colocado à prova.

A saudade mantém os momentos vivos dentro da gente, como se tempo não existisse... (na verdade, não existe para quem sente... nem tempo, nem distância...)

...Deitar e ainda sentir o calor e o cheio do outro... Levar consigo a imagem de quem se ama e encontrá-la sempre nos mesmos lugares onde estiveram juntos... Rir sozinha de uma situação que volta, nítida, à mente no meio do dia e ser capaz de desenhar o mesmo sorriso na lembrança... Reviver as sensações diante das palavras ditas olho no olho, dos carinhos e cuidados, com o mesmo amor que nos causaram... Sentir o mesmo arrepio toda vez que ouve a voz, que sonha, que pensa no outro... Ser capaz de cuidar do amor, com cuidado tão delicado que surpreende e encanta o nosso próprio coração e transforma tudo... todos os dias...

Pode até parecer vilã, vez por outra, quando parece nos cortar o coração, mas não é assim essa tal de saudade... Ela é combustível para suportar as dificuldades e nos manter atentos ao que nos é mais importante.

Agora... se nossa saudade não é solitária... se o outro sente o mesmo, se nos dedica tanta atenção e tanto cuidado quanto nós... ahhhh... aí sim a saudade se torna companheira dos sonhos mais queridos e nos renova a cada lembrança. Sentir junto é tão importante quanto estar ali, do lado, segurando as mãos. Quantos por aí não estão de mãos dadas e vidas separadas? Vejo tantos que dividem o teto e nem se recordam o que os levou até ali, não se completam e nem se enxergam. Não quero, de forma alguma, fazer apologia à distância, mesmo porque não gosto dela. Quero apenas ressaltar que o sentimento é mais importante sempre, ele que é capaz de vencer todas as barreiras.

A saudade é, hoje, minha companheira e sei que está louca para ir embora e me deixar com o meu amor... Ela não quer ficar ao nosso lado porque conhece o brilho dos nossos olhos quando estamos juntos e ela, a saudade, é humilde em sua pequenez... sabe que é apenas uma fase e que felicidade já existe porque é mais forte que ela.

Repetindo sua frase, mor (tadela do meu pão)... "Agarra e não solta. A gente volta".

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Passado que não move nada...

De repente, o passado atravessa meu caminho como uma criança perdida que desafia o trânsito. Você não sabe de onde saiu e nem como escapou. É real, mas representa apenas um susto. Não tem rosto. Um passado que não só não me faz falta, como não o reconheço. É como se não fosse meu. Menos do que páginas dos livros que nunca li.

Pessoas, lugares, acontecimentos... Há exceções, mas a grande maioria parece nunca ter feito parte da minha vida. Não me lembro das sensações que me motivavam, dos sorrisos que me faziam feliz, das palavras que causavam emoções, dos beijos que eram tão especiais... não lembro mais o sabor que tinham.

E a questão não é memória fraca. A memória é uma das minhas melhores virtudes e piores defeitos. Chego a sentir perfumes, sabores, sentimentos, toques, ver detalhes, ouvir músicas, somente de fechar os olhos e lembrar de momentos que são meus... e como dou valor a eles! Mas estes não... Parecem nunca ter acontecido e sei que foram reais. Foram parte de uma história que construí para os outros, não para mim, e a melhor decisão foi deletá-la.

É meu passado, mas que não move nada, nem moinhos...

Não acreditava quando diziam que os 30 anos marcam na vida de uma mulher, mas é fato. Revisei os capítulos anteriores, fiz as devidas anotações e virei a página de forma tão definitiva que não há necessidade nenhuma de retornar a elas. Se esse livro da minha vida ainda existe, está entre tantos outros que não o encontraria.

Forçada pelas brincadeiras da vida, vi passar essa criança e tentei buscar quem fui naquele tempo. Descobri que a essência não mudou e sim minha atitude.

Todos os dias, alguém me encontra, me interroga com olhares, me procura na esperança de retomar uma antiga relação... Todos os dias! E só me fazem pensar que hoje não tenho medo de ser quem sou e me orgulho disso.

Sem ofensas, mas a mulher que aqui escreve não é a mesma de anos atrás, e não adianta buscá-la nas entrelinhas.

sábado, 19 de setembro de 2009

Afinidade

Saudade deste texto...

Afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro
retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto
no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos
verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que
as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar
a um não afim, sai simples e claro diante
de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam. É ficar conversando
sem trocar palavras. É receber o que vem do
outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar
o que está sentindo. É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais
esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades
exercidas quanto das impossibilidade vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela
vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro sob a
forma ampliada do eu individual aprimorado.

autor desconhecido

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Simbiose

Existem duas Anas. Talvez, mais... hummm... Façamos de conta que são apenas duas. Sinto-me capaz apenas de falar da relação Razão x Emoção; relação 'simbiótica', onde uma alimenta e limita a outra.

A Ana Racional parece mais simples, diria até prática. A parte de mim que aprendeu com as feridas da vida, minhas próprias e das pessoas que amo; que se protege, analisa e afasta o perigo, se necessário. É quem toma as decisões e diz o que deve ser dito porque é o correto. Esta enxerga o mundo como é, sem máscaras e fantasias, e aprisiona a outra - da emoção - nesta visão real e dura. É uma prisão que cobra uma postura sensata, coerente, sóbria, discreta. Esta é a Ana que a maioria esmagadora conhece, convive, segue e admira. O conforto social é um de seus objetivos. Controla bem os problemas mais complexos e consegue se manter firme às convicções.

Mas a vida seria previsível demais se apenas 'ela' existisse!

A Ana Emocional vem sempre para bagunçar o coreto e como bagunça! Esta sente tudo! Tudo é palpável, possível e ilimitado. É como um sonho que a gente acredita tanto que parece real. É livre, feliz, desprovida de pretensões. É meu cavalo selvagem que quer descobrir o mundo sem medo. Quando ela está no comando, tudo flui como se não existisse o dia de amanhã. O mundo concentra-se naquele momento único que, na verdade, é o que temos efetivamente já que não há certeza de nada no instante seguinte, nem da própria vida. Esta é a Ana que vive, ama, sonha, acredita! Mergulha em fantasias como qualquer outra mulher, fascinando-se com os pequenos detalhes, guardando sentimentos e sensações só seus. Essa é a Ana que poucos conhecem... Talvez somente os mais íntimos, os que me descobrem entre quatro paredes. Privilegiados ou expostos? Não sei...

Fascinante é a interação das duas!

Quando uma sofre - e ambas passam por isso -, a outra entra em ação para salve-me. Se me colocar no divã, entenderei bem essa reciprocidade já que aprendi que só posso contar comigo mesma... A Emocional não gosta disso, quer que fosse diferente. Acredita que deve contar com as pessoas que dizem me amar, me apoiar. Deseja a todo instante viver momentos que provem que a Racional está errada. Porém, quando chega a tristeza e a decepção... me rendo. Assim, quando os caprichos do coração acabam em lágrimas, a Racional logo chega e coloca a 'casa em ordem', paciente, organizada, incansável. E na maioria das vezes acontece mesmo assim: a Emocional resolve viver intensamente e a Racional chega pra manter a sobrevivência quando a aventura torna-se perigosa demais, lembrando que a vida não pára esperando que eu me levante.

De outro prisma, a Ana Racional faz planos, analisa, escolhe, classifica pessoas em diversos grupos, cada um administrado por uma porção de regras do grupo em que está inserido. Passa muito tempo em paz, estável e sem problemas dispensáveis, mas perde a alegria com o tempo... Não consegue bastar-se.

Como toda relação, existe a Zona de Conflito: os medos da Razão que a Emoção adora sentir. Mesmo disfarçados, são os desejos mais queridos, mais cultivados. Isso gera uma linha tênue entre os dois universos e a transição pode ocorrer em segundos! Um toque inesperado pode despertar a Emoção mesmo quando a Razão está reinando e, de repente, mudar tudo! O contrário também é verdadeiro... Uma atitude ambígua pode colocar a Razão no comando mesmo quando estou no alto das nuvens e dos sonhos.

Somente com o equilíbrio dessa loucura sou capaz de perdoar e entender as atitudes mais improváveis e suas motivações. É desta forma que me desprendo do que não me faz bem mesmo quando o amor domina meu coração ou invisto em histórias que me façam crescer mesmo fora dos padrões. Tudo isso seria imperceptível aos demais se não fossem meus olhos, meus traidores. Eles revelam a verdade e quem sabe interpretá-los conhece minha essência - feliz ou infelizmente, são poucos.

Essa simbiose pode parecer insana até que você olhe para dentro de si e descobra que todos somos idênticos... De perto, todo mundo é louco...

domingo, 19 de julho de 2009

"Somente os amigos traem"

Li essa frase e fiquei pensando sobre ela... Há um complemento: "e somente os amigos podem perdoar."

Traição é uma palavra que machuca só de ser proferida. Causa dor só por existir. Mas existe muito sentido na frase acima. A traição acontece pelas pessoas de quem não esperamos mal. De inimigos se espera tudo! E, portanto, nem é traição.

Lembrei-me de outro livro que tive o prazer de apreciar meses trás - "Governe seu mundo" -, que dizia que o medo e a esperança são os sentimentos mais perigosos para a felicidade do ser humano. E, neste caso, a esperança alimentada pode nos fazer pensar que as pessoas que amamos, para as quais vivemos e compartilhamos nossa vida, nunca nos machucarão e não podem errar conosco. Acho que ninguém deve achar o traição uma coisa normal, mas seríamos mais felizes se a tivéssemos como "possível". A decepção seria menor, imagino.

Atrás de grandes expectativas estão nossos sonhos sem fundamento, aqueles que suprimos para fugir da realidade, um ideal. Todos são passíveis de erro, todos podem nos magoar, nos trair de alguma forma, trair nosso sentimento ou nossa confiança. Nós mesmos podemos fazer isso e será visto como traição apenas pelas pessoas que nos amam. Faz sentido, não faz?

Agora... são também os amigos que podem perdoar e o perdoão é necessário quando alguém erra, não em outra situação. E como é difícil perdoar!

Aprendi que perdoar é esquecer... Acho que isso é divino, não humano. Somente Deus pode esquecer nossas faltas, apagá-las. Nós não conseguimos isso assim... sem muita "prática"... sem muita apreciação do amor... sem aprender como é o amor de Deus.

Esquecer? Como?

Sofri algumas traições na vida. A primeira e mais dolorida foi por uma amiga... [ Seguindo o conceito acima, faz sentido que tenha sido por uma grande amiga, não é mesmo? ] Ela era minha irmã de coração, de vida. Tínhamos mais afinidade do que qualquer pessoa, mais até do que as próximas da minha própria família. Era recíproco. Foram anos de amizade. Só que um dia, ela me traiu, me feriu, me apunhalou. Ignorou os meus sentimentos mais fortes e pensou apenas em si. Acabou ali...

Anos depois, pediu que a perdoasse e aí veio a contradição... Disse que perdoava, mas que nunca esqueceria. Não fui capaz de esquecer até hoje... Então... Perdoei?

Digo que um dos meus piores defeitos é a memória. Não consigo esquecer... mesmo que queira. Se for uma imagem então... impossível! Imagens ficam registradas na minha retina. Basta fechar os olhos e pensar que a imagem volta à mente, nítida.

Com ela foi um registro duplo... de sentimentos e de imagens. Lembro como se estivesse acontecendo agora, na minha frente, o choque da traição da pessoa que mais confiei - além da minha mãe, claro. Hoje não me machuca tanto o que houve, desejo que ela seja feliz onde quer que esteja, mas queria apagar dos meus registros.

Gostaria de esquecer, pois somente os amigos são capazes de perdoar. "Somente os amigos traem"... Isso me faz repensar essa lembrança, assim como outras...

domingo, 12 de julho de 2009

Inaugurando "Ana... na real"

Creio que está na hora de voltar a escrever... São anos fugindo das minhas próprias palavras e buscando algo fora de mim... Talvez a maturidade nos ajude a entender que algumas coisas, definitivamente, não estão fora de nós.

Quero usar esse espaço para falar da Ana que sou "na real". De alguma forma, fui criada para viver um ideal quase inatingível e coloquei um ponto final nessa infeliz busca.

A primeira fase foi de luto, trancada pro mundo, fechada entre quatro paredes psíquicas intransponíveis. Muita tristeza e vazio. Muitas dúvidas com perguntas nem formuladas tamanha a confusão. Sozinha por decisão e por reclusão. Morte de sentimentos e emoções. Um choque... Dolorido, porém necessário.

A segunda foi a euforia, a experimentação, o risco sem consciência de perigo, viver o que os adolescentes vivem - eu acho. Irresponsabilidade, talvez. Noites sem dormir, baladas... Quem foi que disse que não existe função e crescimento em um ambiente de balada? Quem afirmou que as pessoas que frequentam desses ambientes não são dignas de confiança, de respeito, de admiração? Eu precisei disso. Precisei mesmo! Para me reencontrar, me redescobrir. Foi um renascimento, atrapalhado, mas foi. Ativei mecanismos antes adormecidos, como, por exemplo, o poder de sedução, o desapego, a tranquilidade, a capacidade de viver cada dia como se fosse único, a magia. Nunca tive vivido isso. Creio que "pulei" essa fase diante de tantos relacionamentos sérios, sempre muito sólidos; diante das cobranças de perfeição e moral acima de qualquer suspeita.

Nessa fase, a vida me deu um presente: uma amiga. Um dia escreverei sobre ela aqui. Merece um post todinho e muitas outras "participações especiais". rs

E foi no aniversário dessa amiga, esse ano, que iniciei a fase atual... A consolidação de todas as experiências anteriores, a maturação, a conclusão. Um novo choque e, desta vez, totalmente positivo, completo, claro. Momento de crescimento emocional.

Um dia você está totalmente descrente das possibilidades e surpresas que a vida pode lhe dar, desprendida de esperança e medo, e... quando menos espera... tudo muda! Não estou falando de amor, estou falando de visão. Naquela noite, quebrei meus próprios paradigmas, meus pré-moldados conceitos, até meus gostos, tudo porque pude ver além do ambiente, além da multidão ao redor, pude ler os olhos de alguém que nem conhecia e me encantar... depois de tantos anos, encantada.

Foi um "click" e significou muito pra mim. Não acreditava mais que poderia me encantar... totalmente sem pretensão, sem esperança, sem medo. Simplesmente, me encantar. Um sentimento claro, transparente, desprovido de culpa ou cobrança, simplesmente sincero e natural.

É o símbolo, o marco, desta nova fase... esta que quero compartilhar com quem tiver prazer em ler minhas linhas. Adianto que estas podem ser muito maduras ou totalmente perdidas, afinal, quem pode se achar acima dos outros e proprietário de sabedoria incontestável? Eu não... Sou real, tenho qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, euforias e depressões. E só quero atrair pessoas que sejam capazes de respeitar e admirar a sinceridade do meu coração e do seu próprio.

Bem... está inaugurado! Sejam bem vindos.