Ana... na real!: loucura
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domingo, 4 de outubro de 2009

Imprevisível

A vida é imprevisível, totalmente. Por mais que se tente freiar os acontecimentos ou manipulá-los, a história corre seu curso baseada apenas nas nossas escolhas, mesmo das inconsequentes. Dizer que nunca fará isso ou aquilo chega a ser ridículo! Não sabemos a situação que a vida nos oferecerá e muito menos qual será nossa reação diante dela.

Criada com regras, achava que a vida sairia como planejado, afinal, é a consequência natural das coisas: 'Faço o que é certo e tudo fica perfeito!'. Quer saber? B-A-L-E-L-A!!!

Vez por outra, o vento bate e confunde os sentidos, altera as pistas no chão, apaga as coordenadas. De outra perspectiva, os objetivos mudam, o coração acelera e os sentimentos fluem da forma que parecia menos provável, às vezes, até errada, quebrando paradigmas e forçando a reflexão.

Nos últimos anos, vi muitos dos meus conceitos, opiniões e posturas cairem por terra. Cada queda, uma lição.

Não me permitia muitas loucuras e nem muitos erros. Controlava tudo e todos, inclusive a mim mesma. Líder, impecável e determinada. Não havia espaço para dúvidas, apenas certezas. Não tinha atitudes impensadas e nem saia da minha boca nenhuma frase sem que antes a tivesse avaliado. Mantive relacionamentos sérios e harmoniosos. Tudo era previsível e parecia imutável. Era óbvio que tudo daria certo...

Porém, quando menos esperava... o 'vento' bateu, perdi noção de espaço, de direção, e me vi numa situação desconhecida, como se começasse novamente a viver, só que em um mundo que não sabia controlar.

Será que gostei da sensação? De lá pra cá isso aconteceu tantas vezes que começo a pensar que sim. rs

Na verdade, apenas notei que não há nada de previsível na vida, pelo menos não na minha. Não existem receitas. Talvez probabilidade, mas não garantia. Todas as vezes que tinha certeza dos fatos, tudo mudava na última hora. Era como se perdesse a trilha e a bússola estivesse quebrada.

Olhando para trás, vejo que fiz quase tudo que disse que nunca faria, que vivi milhares de situações que acreditava serem impossíveis, experimentei o incontrolável e o desconhecido, escolhi conviver com pessoas diferentes demais de mim que me fizeram enxergar a vida de outra forma e... amei sempre e muito.

Se me arrependo??? Eu não!!!

Não tenho medo nenhum de recomeçar, refazer, reconstruir, e essa é a minha sorte! Fui criada pra lutar, não importando o desafio. Confesso que, às vezes, cansa... mas não desisto. Acredito que é através dos meus erros e acertos que escreverei meu futuro e construirei minha casa sobre rocha, forte e menos vulnerável aos ventos.

Até lá? Vou vivendo, dia após dia, fazendo o meu melhor e acreditando!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Simbiose

Existem duas Anas. Talvez, mais... hummm... Façamos de conta que são apenas duas. Sinto-me capaz apenas de falar da relação Razão x Emoção; relação 'simbiótica', onde uma alimenta e limita a outra.

A Ana Racional parece mais simples, diria até prática. A parte de mim que aprendeu com as feridas da vida, minhas próprias e das pessoas que amo; que se protege, analisa e afasta o perigo, se necessário. É quem toma as decisões e diz o que deve ser dito porque é o correto. Esta enxerga o mundo como é, sem máscaras e fantasias, e aprisiona a outra - da emoção - nesta visão real e dura. É uma prisão que cobra uma postura sensata, coerente, sóbria, discreta. Esta é a Ana que a maioria esmagadora conhece, convive, segue e admira. O conforto social é um de seus objetivos. Controla bem os problemas mais complexos e consegue se manter firme às convicções.

Mas a vida seria previsível demais se apenas 'ela' existisse!

A Ana Emocional vem sempre para bagunçar o coreto e como bagunça! Esta sente tudo! Tudo é palpável, possível e ilimitado. É como um sonho que a gente acredita tanto que parece real. É livre, feliz, desprovida de pretensões. É meu cavalo selvagem que quer descobrir o mundo sem medo. Quando ela está no comando, tudo flui como se não existisse o dia de amanhã. O mundo concentra-se naquele momento único que, na verdade, é o que temos efetivamente já que não há certeza de nada no instante seguinte, nem da própria vida. Esta é a Ana que vive, ama, sonha, acredita! Mergulha em fantasias como qualquer outra mulher, fascinando-se com os pequenos detalhes, guardando sentimentos e sensações só seus. Essa é a Ana que poucos conhecem... Talvez somente os mais íntimos, os que me descobrem entre quatro paredes. Privilegiados ou expostos? Não sei...

Fascinante é a interação das duas!

Quando uma sofre - e ambas passam por isso -, a outra entra em ação para salve-me. Se me colocar no divã, entenderei bem essa reciprocidade já que aprendi que só posso contar comigo mesma... A Emocional não gosta disso, quer que fosse diferente. Acredita que deve contar com as pessoas que dizem me amar, me apoiar. Deseja a todo instante viver momentos que provem que a Racional está errada. Porém, quando chega a tristeza e a decepção... me rendo. Assim, quando os caprichos do coração acabam em lágrimas, a Racional logo chega e coloca a 'casa em ordem', paciente, organizada, incansável. E na maioria das vezes acontece mesmo assim: a Emocional resolve viver intensamente e a Racional chega pra manter a sobrevivência quando a aventura torna-se perigosa demais, lembrando que a vida não pára esperando que eu me levante.

De outro prisma, a Ana Racional faz planos, analisa, escolhe, classifica pessoas em diversos grupos, cada um administrado por uma porção de regras do grupo em que está inserido. Passa muito tempo em paz, estável e sem problemas dispensáveis, mas perde a alegria com o tempo... Não consegue bastar-se.

Como toda relação, existe a Zona de Conflito: os medos da Razão que a Emoção adora sentir. Mesmo disfarçados, são os desejos mais queridos, mais cultivados. Isso gera uma linha tênue entre os dois universos e a transição pode ocorrer em segundos! Um toque inesperado pode despertar a Emoção mesmo quando a Razão está reinando e, de repente, mudar tudo! O contrário também é verdadeiro... Uma atitude ambígua pode colocar a Razão no comando mesmo quando estou no alto das nuvens e dos sonhos.

Somente com o equilíbrio dessa loucura sou capaz de perdoar e entender as atitudes mais improváveis e suas motivações. É desta forma que me desprendo do que não me faz bem mesmo quando o amor domina meu coração ou invisto em histórias que me façam crescer mesmo fora dos padrões. Tudo isso seria imperceptível aos demais se não fossem meus olhos, meus traidores. Eles revelam a verdade e quem sabe interpretá-los conhece minha essência - feliz ou infelizmente, são poucos.

Essa simbiose pode parecer insana até que você olhe para dentro de si e descobra que todos somos idênticos... De perto, todo mundo é louco...