Ana... na real!: racionalização
Mostrando postagens com marcador racionalização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador racionalização. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Simbiose

Existem duas Anas. Talvez, mais... hummm... Façamos de conta que são apenas duas. Sinto-me capaz apenas de falar da relação Razão x Emoção; relação 'simbiótica', onde uma alimenta e limita a outra.

A Ana Racional parece mais simples, diria até prática. A parte de mim que aprendeu com as feridas da vida, minhas próprias e das pessoas que amo; que se protege, analisa e afasta o perigo, se necessário. É quem toma as decisões e diz o que deve ser dito porque é o correto. Esta enxerga o mundo como é, sem máscaras e fantasias, e aprisiona a outra - da emoção - nesta visão real e dura. É uma prisão que cobra uma postura sensata, coerente, sóbria, discreta. Esta é a Ana que a maioria esmagadora conhece, convive, segue e admira. O conforto social é um de seus objetivos. Controla bem os problemas mais complexos e consegue se manter firme às convicções.

Mas a vida seria previsível demais se apenas 'ela' existisse!

A Ana Emocional vem sempre para bagunçar o coreto e como bagunça! Esta sente tudo! Tudo é palpável, possível e ilimitado. É como um sonho que a gente acredita tanto que parece real. É livre, feliz, desprovida de pretensões. É meu cavalo selvagem que quer descobrir o mundo sem medo. Quando ela está no comando, tudo flui como se não existisse o dia de amanhã. O mundo concentra-se naquele momento único que, na verdade, é o que temos efetivamente já que não há certeza de nada no instante seguinte, nem da própria vida. Esta é a Ana que vive, ama, sonha, acredita! Mergulha em fantasias como qualquer outra mulher, fascinando-se com os pequenos detalhes, guardando sentimentos e sensações só seus. Essa é a Ana que poucos conhecem... Talvez somente os mais íntimos, os que me descobrem entre quatro paredes. Privilegiados ou expostos? Não sei...

Fascinante é a interação das duas!

Quando uma sofre - e ambas passam por isso -, a outra entra em ação para salve-me. Se me colocar no divã, entenderei bem essa reciprocidade já que aprendi que só posso contar comigo mesma... A Emocional não gosta disso, quer que fosse diferente. Acredita que deve contar com as pessoas que dizem me amar, me apoiar. Deseja a todo instante viver momentos que provem que a Racional está errada. Porém, quando chega a tristeza e a decepção... me rendo. Assim, quando os caprichos do coração acabam em lágrimas, a Racional logo chega e coloca a 'casa em ordem', paciente, organizada, incansável. E na maioria das vezes acontece mesmo assim: a Emocional resolve viver intensamente e a Racional chega pra manter a sobrevivência quando a aventura torna-se perigosa demais, lembrando que a vida não pára esperando que eu me levante.

De outro prisma, a Ana Racional faz planos, analisa, escolhe, classifica pessoas em diversos grupos, cada um administrado por uma porção de regras do grupo em que está inserido. Passa muito tempo em paz, estável e sem problemas dispensáveis, mas perde a alegria com o tempo... Não consegue bastar-se.

Como toda relação, existe a Zona de Conflito: os medos da Razão que a Emoção adora sentir. Mesmo disfarçados, são os desejos mais queridos, mais cultivados. Isso gera uma linha tênue entre os dois universos e a transição pode ocorrer em segundos! Um toque inesperado pode despertar a Emoção mesmo quando a Razão está reinando e, de repente, mudar tudo! O contrário também é verdadeiro... Uma atitude ambígua pode colocar a Razão no comando mesmo quando estou no alto das nuvens e dos sonhos.

Somente com o equilíbrio dessa loucura sou capaz de perdoar e entender as atitudes mais improváveis e suas motivações. É desta forma que me desprendo do que não me faz bem mesmo quando o amor domina meu coração ou invisto em histórias que me façam crescer mesmo fora dos padrões. Tudo isso seria imperceptível aos demais se não fossem meus olhos, meus traidores. Eles revelam a verdade e quem sabe interpretá-los conhece minha essência - feliz ou infelizmente, são poucos.

Essa simbiose pode parecer insana até que você olhe para dentro de si e descobra que todos somos idênticos... De perto, todo mundo é louco...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Autoestima

Conhecimento, racionalização, visão crítica... uma faca de dois gumes. Por um lado nos faz bem, estimula nossa inteligência, perscipácia, amplia o mundo. Por outro, dá-nos a consciência e não necessariamente a solução. Se temos a capacidade de identificar algo errado em nossa conduta é tortura não ser capaz de corrigir com eficiência. Se é possível encontrar o estopim de um trauma qualquer, por que não mudar sua configuração e consequência?

Admiro muito a psicanálise, a psicologia, apesar de nunca ter me colocado à frente de um profissional como este. [ Me disseram certa vez que "não preciso disso", pois tenho amigos, família, tenho com quem conversar... hummm... Hoje já discuto essa idéia! Será que é o suficiente? Bem.. Mas não é essa a questão hoje. ] O fato é que sou fascinada pela psique humana, mais especificamente, pela minha própria. O que me restou foi buscar conhecimento sozinha, em livros, reportagens, e sempre me choco com o aprendizado sobre o funcionamento da nossa mente e dos caminhos que o pensamento percorre, assim como as marcas que deixa. A postura de me colocar no divã é o desdobrar do autoconhecimento que entendi ser relevante para o meu crescimento pessoal.

Uma das minhas leituras me fez buscar o raiz de umas das minhas "neuroses": meu cabelo. Escolhi essa lembrança porque parece tão ridícula, tão sem fundamento, que é perfeita para o que quero colocar.

Tenho uma avó paterna... do tipo que deveria ser proibida de ser avó, quer dizer, até de ser mãe! Não é preciso mais do que 15 minutos de exposição da sua história para que qualquer pessoa concorde com a afirmação acima, mesmo parecendo agressiva e maldosa. Somente quem conviveu com ela pode entender o quanto isso é complexo.

Ela é vaidosa até hoje e foi ainda mais quando era jovem, bonita, vistosa, sensual e "poderosa", como gosta de dizer. Me tratava como uma boneca, até me colocava pra tirar fotos ao lado de uma. Porém, isso só valia quando me encontrava arrumadinha como um enfeite de bolo e, muitas vezes, ela mesma me arrumava pra se satisfazer. Como quase toda criança, eu odiava aquilo! Certa tarde, quis escovar meu cabelo e eu não deixei. Queria brincar, não me pentear. A cena que se seguiu hoje parece vazia, mas não foi assim aos meus olhos na época, com pouco mais de 8 anos... Ela segurou meus cabelos - levemente cacheados e volumosos - entre os dedos e gritou que eu tinha um cabelo horrível, "cabelo de nego".

[ Detalhe: a genética desenhou meus cabelos de acordo com a decendência dela. Seus fios são disfarçados com laquê e escova... mas iguais aos meus! ]

Hoje a chamaria de ridícula e preconceituosa, como fiz em ocasiões futuras. Diria que todo cabelo é bonito sendo bem tratado, que quando nos aceitamos como somos a beleza é natural, exuberante, segura e nos faz feliz. Quantos cabelos como os meus admiro nas outras mulheres! Mas em mim não...

Desse dia em diante só ficava feliz quando fazia escova, quando deixava ss cabelos tão lisos que ninguém poderia imaginar que fossem cacheados. Preocupada e notando que estava muito incomodada, minha mãe passou a me levar ao salão de beleza, cada vez com mais frequência. Chegava ao ponto de ser um "presente" quando me via triste com o que quer que fosse, pois esquecia tudo depois de ver meus cabelos escovados e balançando ao vento. E, lógico, não parou por aí... A frequência aumentou tanto que a partir dos 13 anos o salão passou a ser condição para o meu bem estar. Toda semana eu escovava o cabelo, toda semana! Só parei poucos anos atrás e, não por consciência, apenas pelo surgimento da "salvadora escova progressiva"!

Minha mãe nunca soube onde isso começou e eu mesma não sabia até me colocar no divã e buscar a origem disso. Me assustei.

O que uma atitude tão isolada foi capaz de fazer? Além dos prejuízos a minha autoestima, os prejuízos financeiros devem ser considerados também. São 52 semanas anuais, por mais de 15 anos, ou seja, 780 escovas. Se colocarmos uma média de R$ 20,00 cada, são nada mais nada menos, do que R$ 15.600,00!!! Ah... Fora as progressivas... rs... É rir pra não chorar!

Vocês podem estar pensando... "Nossa... Deve ser cabelo terrível!"... Pois é... não é! Meu cabelo é rebelde se não for cuidado, como todo e qualquer cabelo, mas é bonito, brilhante, com movimento... sei que é... racionalmente, eu sei. Emocionalmente, não. Não consigo aceitá-lo.

Os prejuízos financeiros a gente supera, não é mesmo? Mas... e as feridas na autoestima?

É estranho ter consciência disso e não conseguir mudar meu sentimento. Foi um exemplo tão pequeno, mas queria colocá-lo para dizer como os detalhes são importantes e como muitas pessoas passam toda a vida aprisionadas nesses padrões que assassinam o amor que devemos cultivar por nós mesmos, que atrapalham o romance que devemos ter com a nossa história, que ofuscam a nossa beleza única, valiosa e especial.

Um dia eu chego lá... E você?