Ana... na real!: conhecimento
Mostrando postagens com marcador conhecimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conhecimento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mais coisas entre o céu e a terra...


"Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia." Hamler, de William Shakespeare.

Queria mesmo ficar queita, mas não consigo. Olha que ando exercitando a arte de ficar calada até com um certo sucesso. Não foi à toa que Deus nos deu dois ouvidos, dois olhos e uma única boca. É pra ouvir e observar mais do que falar - tarefa difícil para 99,99% da população feminina mundial. Só que hoje não dá...

Sempre acreditei na frase acima... Talvez por isso o questionamento constante seja uma das minhas características naturais. Sou do tipo que incomoda. Questionar conceitos socialmente aceitos incomoda, bater de frente com as atitudes ditas "normais" incomoda, mostrar que está atenta a tudo e a todos incomoda mais ainda.

Acho mesmo que existe muito mais entre o céu e a terra do que se pode supor, mesmo para pessoas que como eu gostam de descobrir, e digo mais: MELHOR ASSIM!

Já pensou se soubéssemos tudo, de uma vez? Se tudo nos fosse revelado? Que caos seria! Quem é que se acha tão superior assim, acreditando conhecer todas as complexidades da existência? Eu não conheço e não me condeno por isso. O véu que encobre as verdades do universo é retirado aos poucos e apenas na hora certa. É preciso busca sincera e humildade, além de paciência.

Tive a oportunidade de falar sobre humildade nas últimas semanas e acredito ser ela a responsável pelo aprendizado. Sendo humilde ganhamos a chance de aprender o que o outro tem a nos ensinar conscientes de que não somos melhores do que ninguém, que todos estão na mesma estrada... Quem ostenta conhecimento fecha os olhos para o crescimento pessoal. O importante é saber filtrar. (nossa... até me lembrei de uma situação que instruí muito "filtra tudo!" rs) Absorver apenas o que é relevante. Deixar o resto pra lá... Não se deve perder tempo com bobagens.

Nem precisamos falar só das verdades universais... As verdades pessoais também são alvo dos meus questionamentos e da minha vontade de conhecer. A diferença entre as pessoas é, no mínimo, fascinante. Se não fosse assim, não se completariam. Se poucos são os que podem dizer que se conhecem, imagine conhecer ao outro! É outro mundo! O outro é um universo de possibilidades.

Imagine se tivéssemos legenda? Se pensássemos e as letrinhas indiscretas saltassem abaixo do nosso rosto contanto ao mundo tudo que pensamos ou sentimos? Seria o fim! Certeza! Boa mesmo é a descoberta natural e interessada. Isso é gratificante. Observar o outro com tanto cuidado e descobrir um outro universo. O difícil é aceitar, não é? Aí já é dom - o dom de aceitar o outro como é.

A vida não me deixa quieta um minutinho siquer. Me cutuca mesmo. Cada dia é uma provação. Cada momento uma descoberta. Até quando não quero, realidades diferentes invadem meu universo e sou obrigada a questionar, refletir, repensar e filtrar... construir, destruir e reconstruir conceitos. Tudo fica do avesso até que consigo encaixar as peças e descobrir porquê passei por isso ou por aquilo. Sempre descubro.



O que me intriga são as minhas reações...

Meu pedido mais querido é sempre por sabedoria, por entendimento. É o que peço cada vez que fecho meus olhos em prece. Hoje redobro meu pedido... Nunca precisei de tanta sabedoria e tanto entendimento.

[ Não consigo ser muito específica ainda, pois não juntei todas as peças... Poucos entenderão esse post. Registro apenas minha humilde consciência do quanto há para aprender sobre a vida, o universo e as pessoas. ]

domingo, 1 de novembro de 2009

Sussuros da Alma

Vivi uma noite chocante, em muitos aspectos. Desde o início da tarde, a animação tomou conta de tudo e a festa acabou depois da meia noite. Lógico que perdi todas as chances de voltar pra casa, já que estava do outro lado do mundo e não tinha nem como atravessar a cidade com o corpo moído de cansaço e os olhos fechando de sono. Fiquei.

Depois que os demais convidados da festa foram embora, um a um, ficamos conversando. Eu e os donos da casa onde a festa aconteceu. O papo não tinha fim! Mesmo exaustos, emendávamos um assunto no outro. A mãe da família não aguentou e foi dormir. Ficamos apenas eu, o pai e o irmão do meu amigo, em um dos cômodos que mais gosto de conversar: a cozinha. As horas passando e os temas mais profundos, mais carregados de filosofias, de crenças. Até o nosso tom tornava-se mais solene a cada minuto. Às vezes, pareciam sussuros da alma.

Descobri-me conversando com uma pessoa diferente de mim, que tinha um outro ponto de vista sobre a existência. Gosto de ouvir. Tenho prazer em exercitar essa capacidade, mesmo em situações adversas. Chegamos ao ápice quando ele abaixou a cabeça e parou de falar por vários minutos. O silêncio era pesado, ansioso. Sabia que alguma coisa inesperada estava acontecendo ali, inédita apenas para mim. Ele mudou completamente. Foi tomado por algo fora dele. Falava com clareza, mas em uma linguagem que desconheço. Levantou-se, contorceu-se. Estava inquieto e o sentimento não era bom.

Diferente do que pareceria normal, não tive medo. Sempre pensei como reagiria se um dia tivesse real contato com uma situação dessa, que conhecia apenas por relatos, em literaturas gerais e religiosas. Estava certa ao pensar que não me renderia ao pânico, porém guardava dúvidas a respeito. Só vivenciando descobrimos as reações que nos dominam.

Uma tranquilidade muito grande tomou conta de mim. Analisava cada comportamento, preocupada com ele, não com o que estava acontecendo ali na minha frente. Fiz o correto: orei. Orei sem medo e com segurança. Ele me tocava, segurava minha mão, dizia muitas coisas incompreensíveis, me olhava, me dava ordens para sentar, para levantar, para me ajoelhar. Fiquei firme e mostrei que não me controlaria. Mudei o jogo. Mesmo não sendo totalmente obedecida, o controlei. Ele entendia que não me faria dobrar. Orei e cuidei dele até voltar à consciência. Foram cerca de trinta minutos de uma experiência fora do comum, onde permaneci como pilar de força de uma família que não é a minha. Passou, acabou e tudo voltou ao normal, como se não tivesse acontecido, tanto para mim quanto para ele. Acho mesmo que ele não sabe o que houve.

Meu conhecimento e minha religiosidade são mais fortes do que poderia supor. Minhas certezas e a base do meu pensamento são inabaláveis. O ambiente não me modifica.

...Nos momentos extremos lembramos do que somos feitos!

Agradeço muito a Deus a proteção e as lições que me dá nesta vida.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Autoestima

Conhecimento, racionalização, visão crítica... uma faca de dois gumes. Por um lado nos faz bem, estimula nossa inteligência, perscipácia, amplia o mundo. Por outro, dá-nos a consciência e não necessariamente a solução. Se temos a capacidade de identificar algo errado em nossa conduta é tortura não ser capaz de corrigir com eficiência. Se é possível encontrar o estopim de um trauma qualquer, por que não mudar sua configuração e consequência?

Admiro muito a psicanálise, a psicologia, apesar de nunca ter me colocado à frente de um profissional como este. [ Me disseram certa vez que "não preciso disso", pois tenho amigos, família, tenho com quem conversar... hummm... Hoje já discuto essa idéia! Será que é o suficiente? Bem.. Mas não é essa a questão hoje. ] O fato é que sou fascinada pela psique humana, mais especificamente, pela minha própria. O que me restou foi buscar conhecimento sozinha, em livros, reportagens, e sempre me choco com o aprendizado sobre o funcionamento da nossa mente e dos caminhos que o pensamento percorre, assim como as marcas que deixa. A postura de me colocar no divã é o desdobrar do autoconhecimento que entendi ser relevante para o meu crescimento pessoal.

Uma das minhas leituras me fez buscar o raiz de umas das minhas "neuroses": meu cabelo. Escolhi essa lembrança porque parece tão ridícula, tão sem fundamento, que é perfeita para o que quero colocar.

Tenho uma avó paterna... do tipo que deveria ser proibida de ser avó, quer dizer, até de ser mãe! Não é preciso mais do que 15 minutos de exposição da sua história para que qualquer pessoa concorde com a afirmação acima, mesmo parecendo agressiva e maldosa. Somente quem conviveu com ela pode entender o quanto isso é complexo.

Ela é vaidosa até hoje e foi ainda mais quando era jovem, bonita, vistosa, sensual e "poderosa", como gosta de dizer. Me tratava como uma boneca, até me colocava pra tirar fotos ao lado de uma. Porém, isso só valia quando me encontrava arrumadinha como um enfeite de bolo e, muitas vezes, ela mesma me arrumava pra se satisfazer. Como quase toda criança, eu odiava aquilo! Certa tarde, quis escovar meu cabelo e eu não deixei. Queria brincar, não me pentear. A cena que se seguiu hoje parece vazia, mas não foi assim aos meus olhos na época, com pouco mais de 8 anos... Ela segurou meus cabelos - levemente cacheados e volumosos - entre os dedos e gritou que eu tinha um cabelo horrível, "cabelo de nego".

[ Detalhe: a genética desenhou meus cabelos de acordo com a decendência dela. Seus fios são disfarçados com laquê e escova... mas iguais aos meus! ]

Hoje a chamaria de ridícula e preconceituosa, como fiz em ocasiões futuras. Diria que todo cabelo é bonito sendo bem tratado, que quando nos aceitamos como somos a beleza é natural, exuberante, segura e nos faz feliz. Quantos cabelos como os meus admiro nas outras mulheres! Mas em mim não...

Desse dia em diante só ficava feliz quando fazia escova, quando deixava ss cabelos tão lisos que ninguém poderia imaginar que fossem cacheados. Preocupada e notando que estava muito incomodada, minha mãe passou a me levar ao salão de beleza, cada vez com mais frequência. Chegava ao ponto de ser um "presente" quando me via triste com o que quer que fosse, pois esquecia tudo depois de ver meus cabelos escovados e balançando ao vento. E, lógico, não parou por aí... A frequência aumentou tanto que a partir dos 13 anos o salão passou a ser condição para o meu bem estar. Toda semana eu escovava o cabelo, toda semana! Só parei poucos anos atrás e, não por consciência, apenas pelo surgimento da "salvadora escova progressiva"!

Minha mãe nunca soube onde isso começou e eu mesma não sabia até me colocar no divã e buscar a origem disso. Me assustei.

O que uma atitude tão isolada foi capaz de fazer? Além dos prejuízos a minha autoestima, os prejuízos financeiros devem ser considerados também. São 52 semanas anuais, por mais de 15 anos, ou seja, 780 escovas. Se colocarmos uma média de R$ 20,00 cada, são nada mais nada menos, do que R$ 15.600,00!!! Ah... Fora as progressivas... rs... É rir pra não chorar!

Vocês podem estar pensando... "Nossa... Deve ser cabelo terrível!"... Pois é... não é! Meu cabelo é rebelde se não for cuidado, como todo e qualquer cabelo, mas é bonito, brilhante, com movimento... sei que é... racionalmente, eu sei. Emocionalmente, não. Não consigo aceitá-lo.

Os prejuízos financeiros a gente supera, não é mesmo? Mas... e as feridas na autoestima?

É estranho ter consciência disso e não conseguir mudar meu sentimento. Foi um exemplo tão pequeno, mas queria colocá-lo para dizer como os detalhes são importantes e como muitas pessoas passam toda a vida aprisionadas nesses padrões que assassinam o amor que devemos cultivar por nós mesmos, que atrapalham o romance que devemos ter com a nossa história, que ofuscam a nossa beleza única, valiosa e especial.

Um dia eu chego lá... E você?