Ana... na real!: amor
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terça-feira, 1 de maio de 2012

Saldo dos 34




Há quem se surpreenda com meu entusiasmo diante dos aniversários. Deve ser difícil compreender que, para mim, é dia de agradecimento, de reflexão, portanto, de alegria. O passar dos anos não me entristece, prefiro vê-los como novas oportunidades de errar menos. Quando digo que não há nada melhor do que ter mais do que 30 é porque ainda não sei o que é ter mais do que 40. Quero fazer 100 anos comemorando! 


Aguardei ansiosamente a chegada desse 26 de abril, em especial, porque tinha consciência da missão de me encarar de frente, refletir sobre quem me tornei e reposicionar a rota. Descobri muitas coisas no espelho... Os anos ensinam muito a quem está atento. Algumas lições nem consigo aprender, mas o tempo não desiste e eu me esforço. O legal é saber mais sobre você, descobrir que é essa a vantagem da "tal" maturidade. 


Tenho algumas certezas... 


Sei que faço parte de um grupo restrito, o de pessoas boas. Não vejo arrogância em declarar isso já que tenho sim preocupação em fazer o bem a todos, sem excessão, e ser ainda melhor para os que amo. É minha alegria provocar covinhas de sorrisos nos rostos alheios. Até quando o meu coração não está sorrindo, saber que provoquei felicidade me alivia a alma. Gosto de ser assim, me faz bem.


Se nunca fui ligada em "status social", agora sou menos ainda! Basta prestar atenção no desenrolar da existência para ver que dinheiro não compra caráter, que beleza não garante amor, que fama não reserva paz e, como sempre digo, o mundo gira! Não há inteligência em se gabar de coisas que podem passar. 


Aprendi a falar menos, ouvir mais e observar. Passei a valorizar meu lado "caxias" porque pouca gente faz o que é certo simplesmente porque é isso que precisa ser feito, e eu faço, ainda que cause estranheza. Aprendi a escolher melhor com quem partilhar meus pensamentos e não disperdiçar sentimentos. Hoje invisto em qualidade de amigos/amores e não em quantidade. Poucos e valiosos são os que refletem nossa alma. 


Entendi, depois de muitos anos e dores, que não devo desculpas ao mundo, mas ele a mim; que não preciso agradar as pessoas o tempo todo para que me amem, afinal, não se "pede" amor; quero apenas ser autêntica e agir de acordo com o que é correto e que representa meu coração, abrindo as portas para surpresas agradáveis...


Pode soar contraditório, mas... saquei que não devo "viver" para ajudar os outros e nem pedir que me ajudem. É um erro pensar que posso "salvar" quem quer que seja; apesar de estar sempre disposta a caminhar ao lado de quem estimo, não sou responsável por carregar ninguém. Cada um escolhe seu caminho e suas pedras. Sou responsável pelas burradas que fiz, como cada um é pelas suas. O que devo fazer sim é aprender, errar menos, assimilar os golpes e "desviar" de outros com exatidão de movimentos, além de levantar sempre de cabeça erguida e permanecer alerta. 


Pouco me importa o que pensam sobre mim, importa mesmo o que eu penso sobre a forma que conduzo meus dias. Esse é um ponto bem importante na pessoa que me tornei e define muitos outros aspectos. Não dou satisfações, apenas a Deus e à minha própria consciência. O tempo me ajudou a enxergar que não preciso, pois, quem me ama não me cobra, me acompanha. 


O que mais dói de tudo que li nas marcas do meu rosto é que errei muito com o meu próprio coração. Errei nos relacionamentos... Errei principalmente em assumir responsabilidades que não eram minhas, em poupar mesmo que por amor, em aliviar conflitos e sofrimentos necessários para o crescimento, em colocar em segundo plano meus anseios, em deixar ir quem amei porque preferi libertar a dizer que não queria que fosse... Errei em sempre fazer o que os outros queriam, nunca o que EU queria. Essas atitudes tornou a vida dos meus amores mais leve sim, porém, a minha mais pesada. Dói, mas aprendi. Ao menos agi, não é mesmo? A diferença é que agora sei que agi errado, o que torna a mudança possível. Hoje sou a melhor mulher que já pude ser e agradeço essa oportunidade.  


Bom ter a certeza de que não é egoísmo pensar em mim, nos meus sonhos, planos, necessidades e prioridades; é sim responsabilidade pela minha vida! E quem tem mais responsabilidade do que eu? Ninguém. 


Saldo positivo?! Não sei... Sei que bem feito, bem desenhado e limpo para seguir o caminho.  


...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O mundo gira!


O que acho mais fantástico no mundo é que ele gira. Dá voltas completas, muitas vezes. Como numa montanha-russa, ora você está lá encima, ora lá embaixo.

Costumo repetir:

"Calma... O mundo vai girar... E quando girar... hummmm..."

Não é por vingança, nem nada assim. É pela certeza de que as coisas mudam, as necessidades e as relações também.

Gosto de vê-lo girar...

Digo sempre que sou a "ovelha negra da família". A crítica ao meu modo de cuidar dos outros sempre foi ferrenha. Não é diferente hoje, mas me "divirto" ao observar o que a vida me dá de oportunidades de colher o que plantei.

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Exemplo...

Aos 18 anos (e 1 dia) tirei minha carteira de motorista. Desde criança sonhava com o momento de dirigir. Está no sangue... É fascínio. Tive a alegria de ter um carrinho pra ir e vir nos primeiros anos, meu Gol "caixinha" (aquele antigo, quadradinho, lembra? rs). Sempre que podia, dava carona, fazia uso das quatro abençoadas rodas para levar meus amigos pra cima e pra baixo, apesar de saber que ouviria horrores em casa pela "boa ação". E ouvia! Sempre! rs O que nunca me impediu e nem me mudou.

Pois é... Os anos passaram (correndo, inclusive) e eu fiquei um bocado de tempo sem carro. O mundo girou.

Não foram as mesmas pessoas, mas outras, tão amigas e tão queridas, me ajudaram a ir e vir de onde quer que fosse (em 99,99% dos casos...rs). Me sentia até constrangida porque é ruim "depender" de outras pessoas, mas sabia que faziam por amor a mim... Via o povo se organizando... "Quem vai levar a Ana?".

Foram anos assim... E... o mundo girou denovo!

E hoje eu posso ter a alegria "dar uma caroninha" para as pessoas que amo novamente... e com tanta alegria no coração! Tanta!

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Hoje você pode ser mesquinho e amanhã precisar que alguém seja desprendido.
...Você pode ignorar a necessidade de um amigo e amanhã almejar que alguém te observe o suficiente pra te ajudar sem que você precise dizer nada...
Hoje você pode trair e amanhã desejar que alguém realmente te ame e não te troque por ninguém e nada no mundo.
...Você pode negar perdão e amanhã implorar por ele.
Hoje você pode ser irresponsável com sua própria vida por mera diversão e amanhã notar que perdeu todas as oportunidades de ser feliz e completo.
...Você pode negar seu amor e amanhã descobrir que não tem amor pra colher.


Tem tanta coisa importante na vida... E não é o dinheiro, nem o carro, nem a casa, nem as formalidades de um casamento. Isso tudo vai embora, mais dia ou menos dia. O que importa é o amor verdadeiro, a amizade, a fidelidade, a sinceridade. O resto é resto.

Qual é seu sentimento ao pensar que o mundo gira?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Natura Amó... Linda campanha!

A Natura capricha, não capricha?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amor é Fogo que Arde sem se ver

...

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

(Luís de Camões)


Um super final de semana pra vocês... com muito amor.

domingo, 30 de maio de 2010

Relacionamentos, por Rubem Alves

Sou sempre a favor do frescobol!!!
Espero que curtam o texto como eu... É a inauguração da nova fase no blog... com mais dedicação e inspiração... com poesia, esperança e sonhos realizados...
Boa semana!


"Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.

Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me.

Para começar, uma afirmação de Nietzsche com a qual concordo inteiramente.

Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice”?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Sheerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O Império dos Sentidos”. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites.

O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ”Eu te amo...”

Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética”.

Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua “cortada”, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui, ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras.
Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada.

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim..."

(texto do fantástico Rubem Alves)

Vivam relacionamentos do tipo frescobol... Sejam felizes e façam felizes as pessoas que amam. Aí está a beleza da vida!

domingo, 21 de março de 2010

Espatódea...

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"Não sei se o mundo é bom
Mas ele ficou melhor
Quando que você chegou
E perguntou:
Tem lugar pra mim?"

(Espatódea, Nando Reis)
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tenho urgência!

...

Urgência pela vida, pelas histórias tão cuidadosamente desenhadas e não vividas.

Urgência por colher os frutos no pé que plantei, por juntar as peças do quebra-cabeça, por descobrir o caminho correto à seguir, aquele que traz mais do que felicidade passageira, traz sabedoria.


Urgência por atitudes... que definem os rumos, que demostram coragem, que provocam segurança e esta... ah... esta fica! Mudar tudo não é fácil, não é para qualquer um, é apenas para quem conserva o poder sobre o que é, sobre o quer.

Urgência por mudança, não porque simplesmente a desejo e sim porque já aconteceu, em mim.

Urgência pelos sonhos que estão sempre um passo à minha frente e parecem congelados num silêncio tão frágil...

Mas para que tanta urgência se o mundo roda sem minhas influências, se o futuro não me pertecem, se o que tenho é o hoje e nada mais?

Por que esse sentimento de PRECISAR fazer para alcançar, se não há o que fazer? Por que é tão difícil em dias difíceis?

O que me conforta é fechar os olhos, respirar e viver os sentimentos que me movem - certa de que são os corretos e de que sou fiel à eles -, sabendo que tudo encontra um resultado, algum dia...

...E não serei outra pessoa quando esse dia chegar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Escolha pela Felicidade

Tinha um texto todinho pronto sobre 'família'... no final: 'excluir' em tudo! rs

O texto estava bom, mas 'a real' é que não existe regra nem explicação, existe apenas o desejo de ser feliz com quem a gente ama. Ter ao lado alguém que está ali porque não quer, de verdade, estar em nenhum outro lugar. É escolha... Cada um faz a sua e aos outros resta respeitar.

O mundo mudou e muda com uma velocidade muito maior hoje do que há 10 anos atrás. Negar isso é perder o aprendizado. Famílias diferentes, porém, com papéis preservados se o sentimento central é o amor. Se o amor não existe, para que sustentar mentiras, farsas domésticas?

Vale mais viver de amor, leve e livre, seguro dos sentimentos, seus e do outro. Buscar o conhecimento aprofundado, o respeito à privacidade, ao espaço, às diferenças. Aprender! Compartilhar a vida com quem te faz bem, te faz crescer, certos de que são mais fortes e melhores juntos. O resto é resto...

Aparências, formatos sociais, obrigações, relacionamentos destrutivos... Comprometer seu futuro por isso é besteira!

Muitas são as histórias familiares que destruíram vidas; porém, infinitas são as que contam alegrias, vitórias, superação.

Acredito que a sabedoria está em escolher o caminho da felicidade... É essa a minha escolha.

domingo, 8 de novembro de 2009

Tudo Passa!

Senti um arrepio tão forte pelo corpo... A frase "TUDO PASSA!" tatuada no braço de uma moça estranha e apresentada no momento crítico e delicado do recomeço. Não foram meus olhos que avistaram essa mensagem de Deus, mas senti seu poder pela voz do outro lado da linha, surpreso com um recado tão claro e oportuno, além de incomum! Até brincamos nos perguntando 'quem tatua uma frase dessa no braço?'. rs Não importa, importa que estava ali para ser lida por ele, no momento que mais precisava. Não foi coincidência, isso não existe!

Desligamos o telefone e fiquei refletindo sobre cada palavra dita e os sentimentos que carregavam... sobre cada esperança acalentada no peito... sobre os sonhos escondidos no inconsciente... sobre os medos e os desejos que acabam por desenhar nossa estrada nesta vida... Ali sozinha no quarto, fiquei minutos e minutos olhando para um ponto qualquer como que suspensa do mundo. Voltei-me para a mesa e, num movimento espontâneo, virei a página do livro 'As Coisas Boas da Vida'. Cada dia viro uma até ser tocada por uma das curtas frases.

De repente, arregalei os olhos, assustada: "Construa seus sonhos com quem você gosta".

Nem virei mais página alguma. Fiquei paralisada. A frase e a foto me hipnotizaram, me levaram para dentro de mim. Me perdi nos pensamentos mais profundos que guardo no coração. Impossível ignorar os sinais...

Que recado Deus está tentando me dar? Sempre tive certeza de que Ele sussura em nossos ouvidos, só que, às vezes, deixamos que os ruídos do mundo nos impeçam de ouvir ou ouvimos apenas o que nos convém. Mas Ele fala... Sussura baixinho e só quando estamos em silêncio emocional é que recebemos a mensagem.

Enquanto pensava nos possíveis significados e em suas aplicações práticas, o telefone tocou novamente. Era uma senhora muito querida, que foi nossa vizinha quando ainda éramos crianças. Ela quis falar comigo e me perguntou como estava o coração. Depois de receber minhas respostas evasivas, me disse: "Tudo tem o tempo certo e Deus sabe qual é. Tenha paciência!"

Acho que não preciso dizer mais nada, não é mesmo?


referência: Foto e texto extraídos do livro "As Coisas Boas da Vida", de Anderson Cavalcante.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Coleciono história, a minha própria.

Dizer dos meus privilégios soa como arrogância, mas tenho tantos e tão incríveis... Não devo negá-los! Repito para quem quiser ouvir que o dia que encarar o fim da vida não terei o direito à tristezas, somente à agradecimentos.

Sim... tenho mágoas, ressentimentos, feridas na alma, sonhos não realizados. Não os escondo nem os nego. Reconheço seu valor na construção do meu caminho. Somente através deles pude ter a percepção do que é essencial e único, e me tornei capaz de viver o dia, tirando dele aquele silêncio que só a felicidade plena nos permite. Cometi erros, mas passaria tudo novamente, quantas vezes fosse necessário.

Agradeço porque tenho oportunidade de viver histórias maravilhosas... para lembrar, contar, escrever, sonhar... Para mim, isso é viver!

Não há uma coisinha siquer que guardo que não tem uma história... de amor, de carinho, de amizade, de coragem, de paixão. Objetos transformados em símbolos, amuletos, frascos com a essência de um momento.

...Fotografias na parede contam alegrias, aventuras e ousadias. Os traços descrevem os sentimentos mais íntimos sem uma palavra siquer.
...Roupas que não canso de usar porque são figurinos do maior dos teatros.
...Agendas em caixas fechadas, escondidas de mim.
...Pedaços de papel dobrados e envelhecidos com os segredos do meu coração, com os sonhos que vivi e com a realidade que sonhei.
...Um quadro, uma amizade cúmplice, uma vida que se foi e deixou a beleza numa imagem sensual, mergulhada em misteriosas reflexões.
...Um dragão que não é meu, mas que guarda o que tanto quero.
...Livros, CD's e DVD's com dedicatórias - escritas ou não.
...Duas espadas, duas histórias, dois amores.
...Presentes que carregam energia e poder.

Coleciono história, a minha própria. Se não posso ter um objeto que represente a felicidade vivida, fecho os olhos e deixo que as imagens sejam impressas no meu coração, vez após outra, tornando-se impossível de esquecer.

Sinto que muito ainda não aconteceu... A história não acabou. Cada dia é um papel em branco. Talvez por isso acredite nos sonhos... Porque é neles que desenho minha realidade, aos poucos, com cuidado, riqueza e profundidade. Acontecendo ou não, atribuiem brilho aos meus olhos, e me ajudam a encarar cada instante como importante, como um traço meu.

Quem sou eu senão minha história? É o que mais amo e prezo. É o que faz de mim a mulher que sou. Como não valorizar isso com todas as forças?

A benção suprema seria tornar eternas algumas dessas histórias, com a sucessão de outras igualmente intensas, com a mesma pessoa. Isso sim eu sonho! Ter momentos tão sublimes sempre ao alcance das mãos... De forma a poder tocar, cuidar, amar, pra sempre, sem limite e sem receio.

Viver o amor em plenitude com aquela leveza de quem acredita que nunca vai acabar. Utopia talvez... Mas quem nos impede de sonhar?

domingo, 19 de julho de 2009

"Somente os amigos traem"

Li essa frase e fiquei pensando sobre ela... Há um complemento: "e somente os amigos podem perdoar."

Traição é uma palavra que machuca só de ser proferida. Causa dor só por existir. Mas existe muito sentido na frase acima. A traição acontece pelas pessoas de quem não esperamos mal. De inimigos se espera tudo! E, portanto, nem é traição.

Lembrei-me de outro livro que tive o prazer de apreciar meses trás - "Governe seu mundo" -, que dizia que o medo e a esperança são os sentimentos mais perigosos para a felicidade do ser humano. E, neste caso, a esperança alimentada pode nos fazer pensar que as pessoas que amamos, para as quais vivemos e compartilhamos nossa vida, nunca nos machucarão e não podem errar conosco. Acho que ninguém deve achar o traição uma coisa normal, mas seríamos mais felizes se a tivéssemos como "possível". A decepção seria menor, imagino.

Atrás de grandes expectativas estão nossos sonhos sem fundamento, aqueles que suprimos para fugir da realidade, um ideal. Todos são passíveis de erro, todos podem nos magoar, nos trair de alguma forma, trair nosso sentimento ou nossa confiança. Nós mesmos podemos fazer isso e será visto como traição apenas pelas pessoas que nos amam. Faz sentido, não faz?

Agora... são também os amigos que podem perdoar e o perdoão é necessário quando alguém erra, não em outra situação. E como é difícil perdoar!

Aprendi que perdoar é esquecer... Acho que isso é divino, não humano. Somente Deus pode esquecer nossas faltas, apagá-las. Nós não conseguimos isso assim... sem muita "prática"... sem muita apreciação do amor... sem aprender como é o amor de Deus.

Esquecer? Como?

Sofri algumas traições na vida. A primeira e mais dolorida foi por uma amiga... [ Seguindo o conceito acima, faz sentido que tenha sido por uma grande amiga, não é mesmo? ] Ela era minha irmã de coração, de vida. Tínhamos mais afinidade do que qualquer pessoa, mais até do que as próximas da minha própria família. Era recíproco. Foram anos de amizade. Só que um dia, ela me traiu, me feriu, me apunhalou. Ignorou os meus sentimentos mais fortes e pensou apenas em si. Acabou ali...

Anos depois, pediu que a perdoasse e aí veio a contradição... Disse que perdoava, mas que nunca esqueceria. Não fui capaz de esquecer até hoje... Então... Perdoei?

Digo que um dos meus piores defeitos é a memória. Não consigo esquecer... mesmo que queira. Se for uma imagem então... impossível! Imagens ficam registradas na minha retina. Basta fechar os olhos e pensar que a imagem volta à mente, nítida.

Com ela foi um registro duplo... de sentimentos e de imagens. Lembro como se estivesse acontecendo agora, na minha frente, o choque da traição da pessoa que mais confiei - além da minha mãe, claro. Hoje não me machuca tanto o que houve, desejo que ela seja feliz onde quer que esteja, mas queria apagar dos meus registros.

Gostaria de esquecer, pois somente os amigos são capazes de perdoar. "Somente os amigos traem"... Isso me faz repensar essa lembrança, assim como outras...

domingo, 12 de julho de 2009

Amar Você


Em meu primeiro post, um texto que li quando adolescente e até hoje retrata meus sentimentos perante a vida e as minhas emoções... Não sei o autor, mas admiro sua sensibilidade.


“Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte do tudo que acredito não me tape os ouvidos nem a boca.
Porque metade de mim é o que grito... mas a outra metade é o silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que cante tristeza.
Que o homem que eu amo seja para sempre amado, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida... e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimento.
Porque metade de mim é o que ouço... mas a outra metade é o que calo.

Que esta minha vontade de ir embora se transforme na paz que eu mereço.
Que esta tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso... e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste; que o convívio comigo mesma se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu lembro ter dado na infância.
Porque metade mim é a lembrança do que fui... a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me aquietar o espírito.
Que o teu silêncio me fale cada dia mais.
Porque metade de mim é abrigo... mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
Que ninguém a tente explicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade mim é platéia... e a outra metade é a canção.

Que a minha loucura, que o meu amor, seja perdoado...
Porque metade de mim é AMAR... e a outra metade... VOCÊ”.

Inaugurando "Ana... na real"

Creio que está na hora de voltar a escrever... São anos fugindo das minhas próprias palavras e buscando algo fora de mim... Talvez a maturidade nos ajude a entender que algumas coisas, definitivamente, não estão fora de nós.

Quero usar esse espaço para falar da Ana que sou "na real". De alguma forma, fui criada para viver um ideal quase inatingível e coloquei um ponto final nessa infeliz busca.

A primeira fase foi de luto, trancada pro mundo, fechada entre quatro paredes psíquicas intransponíveis. Muita tristeza e vazio. Muitas dúvidas com perguntas nem formuladas tamanha a confusão. Sozinha por decisão e por reclusão. Morte de sentimentos e emoções. Um choque... Dolorido, porém necessário.

A segunda foi a euforia, a experimentação, o risco sem consciência de perigo, viver o que os adolescentes vivem - eu acho. Irresponsabilidade, talvez. Noites sem dormir, baladas... Quem foi que disse que não existe função e crescimento em um ambiente de balada? Quem afirmou que as pessoas que frequentam desses ambientes não são dignas de confiança, de respeito, de admiração? Eu precisei disso. Precisei mesmo! Para me reencontrar, me redescobrir. Foi um renascimento, atrapalhado, mas foi. Ativei mecanismos antes adormecidos, como, por exemplo, o poder de sedução, o desapego, a tranquilidade, a capacidade de viver cada dia como se fosse único, a magia. Nunca tive vivido isso. Creio que "pulei" essa fase diante de tantos relacionamentos sérios, sempre muito sólidos; diante das cobranças de perfeição e moral acima de qualquer suspeita.

Nessa fase, a vida me deu um presente: uma amiga. Um dia escreverei sobre ela aqui. Merece um post todinho e muitas outras "participações especiais". rs

E foi no aniversário dessa amiga, esse ano, que iniciei a fase atual... A consolidação de todas as experiências anteriores, a maturação, a conclusão. Um novo choque e, desta vez, totalmente positivo, completo, claro. Momento de crescimento emocional.

Um dia você está totalmente descrente das possibilidades e surpresas que a vida pode lhe dar, desprendida de esperança e medo, e... quando menos espera... tudo muda! Não estou falando de amor, estou falando de visão. Naquela noite, quebrei meus próprios paradigmas, meus pré-moldados conceitos, até meus gostos, tudo porque pude ver além do ambiente, além da multidão ao redor, pude ler os olhos de alguém que nem conhecia e me encantar... depois de tantos anos, encantada.

Foi um "click" e significou muito pra mim. Não acreditava mais que poderia me encantar... totalmente sem pretensão, sem esperança, sem medo. Simplesmente, me encantar. Um sentimento claro, transparente, desprovido de culpa ou cobrança, simplesmente sincero e natural.

É o símbolo, o marco, desta nova fase... esta que quero compartilhar com quem tiver prazer em ler minhas linhas. Adianto que estas podem ser muito maduras ou totalmente perdidas, afinal, quem pode se achar acima dos outros e proprietário de sabedoria incontestável? Eu não... Sou real, tenho qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, euforias e depressões. E só quero atrair pessoas que sejam capazes de respeitar e admirar a sinceridade do meu coração e do seu próprio.

Bem... está inaugurado! Sejam bem vindos.