Abri mão de escrever em 2011, da mesma forma que fiz com várias outras coisas essenciais para o meu bem estar, em detrimento de outras, essenciais para meu desenvolvimento forçado em outros setores da vida, nos quais não via tanta perspectiva até então. Agora alguns dias de 2012 se passaram e chegou a hora de organizar as letras por aqui...
Olhar para trás (ou para baixo, no caso) e mergulhar novamente no espírito do post do Natal passado, é um choque. Só assim para explicar meu sentimento. Um choque. O sentimento era tão diferente no final e início do último ano. Tão intenso e tão bom...
Diferente do ano anterior, 2011 foi pesado. Não é justo dizer que foi ruim porque foi, como era previsto pela próprio ciclo da minha vida, ano de definições e mudanças profundas - estas nunca são fáceis. Geralmente doem bastante. A sensação era como se tudo tivesse saído do lugar de uma vez e exigisse reorganização, muito aos poucos; um quebra-cabeça gigante, cheio de pecinhas pequenas soltas que não entregavam qual seria a paisagem montada. Isso não é ruim, só não é simples.
Lembro quando completei 33 anos e meu Sensei disse que eu deveria me cuidar muito porque seria o ano mais "perigoso" e que eu não seria mais a mesma aos 34. Estava certo; ele sempre está. Não vejo a hora de chegar ao tão esperando dia 26/4/12! Como será o encontro diante do espelho?
2011 matou muitas das minhas ilusões mais insistentes. Tudo aos cacos. Nem dá pra dizer que foi um terremoto porque tinha bem mais cara de demolição, denotada intencionalmente. Se levar em consideração que em alguns casos só demolindo para reconstruir, era a única possibilidade mesmo. A teimosia já me atrapalhou muito. Agora nem ela tem espaço. Perdi referências e fui obrigada a ver tudo de outra forma. Como diz minha cara amiga, srta. Palmejane*, lá fui eu, me reinventar. Penso ser isso que melhor sei fazer de tantas vezes que já foi necessário.
*(A Albenice, ou srta. Palmejane como gosto de chama-la, é uma das amigas que mais quero agradecer pela presença, amizade, carinho, compreensão, disposições e tudo o mais no ano que passou. Somos mais fortes e melhores juntas, não é, minha amiga?)
O problema de qualquer reforma é saber o que fazer com o que restou: os entulhos, as falhas de fundamento, o lixo do porão. O que mais incomodou foram os que nem consegui tocar. Ficaram lá, problemas anunciados mas quietos. Nem os resolvi, nem olhei para eles. Pioram, sempre, mas não tinha estrutura ainda para encara-los. (Essa "desculpa" não tenho mais)
Li um dia desses que "Não vemos as coisas como são, mas como nós somos" (Anaïs Nin) e concordei. Ainda bem que esse texto me encontrou agora e não na hora que as paredes estavam caindo, pois agora posso ver meu caminho com esses novos olhos. Não olhos de ano novo, e sim olhos de nova pessoa, nova mulher, nova profissional, nova...
Se me perguntassem a metáfora que descreve minha forma de ver a vida, diria que a vida é um CAMINHO. Estou nele com mais consciência e mais maturidade. Não ficou mais fácil, mas ficou mais real, nítido. Nesse caminho mais recente, tenho que agradecer muito... Tenho medo de pecar e não citar alguém, mas alguns não posso economizar meus sentimentos diante da importância no meu ciclo de mudanças.
Não é fácil dividir as pessoas por áreas da vida, afinal, elas se misturam, mas vou arriscar...
Família é sempre família e falo do núcleo mais íntimo. Minha mãe, meu irmão e minha cunhada foram, mais do que em qualquer outra fase da minha vida, parceiros, próximos, presentes. Mais do que sangue, muito amor, muita compreensão, muito apoio. Sem vocês eu não teria suportado, nada. Obrigada por serem parte de mim. Amo vocês!
Amigos do caminho... Dos que faziam parte do dia-a-dia, ficaram apenas os mais insistentes, mais cabeça-duras, mais compreensivos. Ah! "ficar" não significa, nesse caso, ficar perto, e sim, permaneceram amigos e não julgar nem apontar, independente de qualquer coisa, independente do meu humor (ou falta dele), minha distância, meu mundo ruindo longe deles. Esses são sempre guerreiros e são únicos. Deles não me esqueci um dia siquer, apesar de não ligar, não dar sinal de vida, e ainda aparecer como fantasma vez por outra e sumir do mesmo jeito, sem muitas palavras, sem muitas confidências. Os demais entendo que tenham se afastado, afinal, eu também escolhi isso. A lista poderia ser muito maior, mas vou destacar apenas o meu Sensei Marcelo, o casal do meu coração, Caetano e Lu, e a minha irmã-monstro Flavinha. Com vocês, não me senti "fora da casinha" momento algum, mesmo quando estava, de fato. (Amo todos e espero que me perdoem por citar tão poucos) E não se preocupem... O aikidô é parte de quem eu sou, minha essência, e estou de volta ao tatame!
Amigos de labuta...rs Nesse caso é que acho que as coisas se misturam bem, tipo massa de bolo. Não são colegas de trabalho, são amigos também. Quando caí aqui na agência, caí "empurrada" por um amigo que a vida me trouxe de volta (e agradeço muito por isso), lá da infância - o Ti (nem me interessa como os outros te chamam...rs), logo caí na responsabilidade de outra doida que virou amiga e até confidente e era pra ser só gerente, a Ca, que teve uma puta paciência comigo e me integrou na equipe. Tive ajuda "externa" também...rs ligava pro Duda de 5 em 5 minutos pra perguntar TUDO e ele pacientemente desvendou esse mundo de termos que só existem nesse universo publicitário! Ele não faz parte de um "grupo" só na minha vida e mais do que me ajuda...rs Ele é parte de todos os processos que passei em 2010, sem excessão.
Pensa... Não posso dizer que sabia o que era uma agência de publicidade, muito menos desse porte. Tinha era um monte de preconceitos e receios. Sabe o que encontrei? Um time de coração bom, guerreiro, dedicado (demais, inclusive), jovem e desafiador. Gente que vale a pena conhecer, conviver e aprender junto.
Minha parceira 100% do tempo aqui me ajudou a ser parte disso tudo de verdade (Obrigada, Rê! Você é essencial!), me ensinou, me ajudou, se tornou amiga mesmo, companheira. Se não fosse ela, teria saído correndo nas primeiras semanas. Certeza! Tínhamos dois fantásticos assistentes também, meus meninos Cipri e Patrick! (inesquecíveis, mas nos abandonaram! rs) Logo a convivência forçada e intensa, afinal ninguém sai daqui nunca, me trouxe grandes amigas, a Camis e Aninha - aprontamos até juntas! E entre idas e vindas, gente entrando e saindo toda hora, veio o André botar ordem na bagunça e conquistar mais do que espaço no trabalho, conquistou também minha amizade e meu respeito. É chefe, né, gente... mas chefe diferente. ;) As amizades só se ampliam aqui... Bréd, Paulinha, Pri, Mi, Gabi, Paula, Caio, Cadu, Ti, Otavio, Mari, Su... Quanto mais o povo aguenta ficar (e não é pra qualquer um), mais se une, mais nos conhecemos. Realmente é outro mundo, outra realidade, mas é tudo gente, humanos, amigos, de carne e osso, com sonhos e necessidades como todos os outros. Vocês fizeram mais parte do meu ano velho do que qualquer outros, me viram feliz, triste, chorando sentada na mesa, aprendendo, alcançando, e conquistando. Vocês merecem meu agradecimento especial! Obrigada, time!
E ainda tem duas figuras novas na minha vida, na verdade, quatro. Dividir o teto (e o condomínio também) com amigas é, no mínimo, diferente de tudo que já tinha vivido. Agradeço a Carol, a Nara, a Nat e a Deia por tudo, toda a ajuda, paciência e companhia, aprendo todos os dias com vocês. Obrigada!
Começo 2012 em outra "pegada"... Descobri que coisas que eu quero muito não posso ter agora e insistir só vai me fazer mal, mas outras eu posso e terei. São escolhas. Algumas escolhas a gente parece que nem faz, só aceita, só que eu quero escolher. Terminei um ano difícil com conquistas interessantes, mais bonita (modesta eu, né? rs mas me dediquei a isso e não vou fazer de conta que não é importante pra mim porque é; só reflete que estou me priorizando, me cuidando e está me fazendo bem) e mais feliz com a pessoa que estou me tornando. Ninguém vai me segurar nem me derrubar, nem eu mesma.
Os primeiros dias do ano foram bons pra colocar coisas em prática, não em promessas. Voltei a treinar, a ler, a escrever. Olhei de frente meus sonhos - aqueles que só fiz ignorar e jogar no canto da gaveta -, meus planos, minhas necessidades, meus sentimentos. Também encarei o terror da minha vida financeira e vou colocar tudo nos eixos sim, a qualquer "custo". Uma providência por dia. Será assim, até ter paz novamente. Não vou desistir de mim nunca.
Desejo um ano sublime, profundo, transformador e poderoso para todas as pessoas que amo. Quero estar junto de vocês.
Bjo no coração.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Coleciono história, a minha própria.
Dizer dos meus privilégios soa como arrogância, mas tenho tantos e tão incríveis... Não devo negá-los! Repito para quem quiser ouvir que o dia que encarar o fim da vida não terei o direito à tristezas, somente à agradecimentos.
Sim... tenho mágoas, ressentimentos, feridas na alma, sonhos não realizados. Não os escondo nem os nego. Reconheço seu valor na construção do meu caminho. Somente através deles pude ter a percepção do que é essencial e único, e me tornei capaz de viver o dia, tirando dele aquele silêncio que só a felicidade plena nos permite. Cometi erros, mas passaria tudo novamente, quantas vezes fosse necessário.
Agradeço porque tenho oportunidade de viver histórias maravilhosas... para lembrar, contar, escrever, sonhar... Para mim, isso é viver!
Não há uma coisinha siquer que guardo que não tem uma história... de amor, de carinho, de amizade, de coragem, de paixão. Objetos transformados em símbolos, amuletos, frascos com a essência de um momento.
...Fotografias na parede contam alegrias, aventuras e ousadias. Os traços descrevem os sentimentos mais íntimos sem uma palavra siquer.
...Roupas que não canso de usar porque são figurinos do maior dos teatros.
...Agendas em caixas fechadas, escondidas de mim.
...Pedaços de papel dobrados e envelhecidos com os segredos do meu coração, com os sonhos que vivi e com a realidade que sonhei.
...Um quadro, uma amizade cúmplice, uma vida que se foi e deixou a beleza numa imagem sensual, mergulhada em misteriosas reflexões.
...Um dragão que não é meu, mas que guarda o que tanto quero.
...Livros, CD's e DVD's com dedicatórias - escritas ou não.
...Duas espadas, duas histórias, dois amores.
...Presentes que carregam energia e poder.
Coleciono história, a minha própria. Se não posso ter um objeto que represente a felicidade vivida, fecho os olhos e deixo que as imagens sejam impressas no meu coração, vez após outra, tornando-se impossível de esquecer.
Sinto que muito ainda não aconteceu... A história não acabou. Cada dia é um papel em branco. Talvez por isso acredite nos sonhos... Porque é neles que desenho minha realidade, aos poucos, com cuidado, riqueza e profundidade. Acontecendo ou não, atribuiem brilho aos meus olhos, e me ajudam a encarar cada instante como importante, como um traço meu.
Quem sou eu senão minha história? É o que mais amo e prezo. É o que faz de mim a mulher que sou. Como não valorizar isso com todas as forças?
A benção suprema seria tornar eternas algumas dessas histórias, com a sucessão de outras igualmente intensas, com a mesma pessoa. Isso sim eu sonho! Ter momentos tão sublimes sempre ao alcance das mãos... De forma a poder tocar, cuidar, amar, pra sempre, sem limite e sem receio.
Viver o amor em plenitude com aquela leveza de quem acredita que nunca vai acabar. Utopia talvez... Mas quem nos impede de sonhar?
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