Ana... na real!: agressão à mulher
Mostrando postagens com marcador agressão à mulher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agressão à mulher. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Passado que não move nada...

De repente, o passado atravessa meu caminho como uma criança perdida que desafia o trânsito. Você não sabe de onde saiu e nem como escapou. É real, mas representa apenas um susto. Não tem rosto. Um passado que não só não me faz falta, como não o reconheço. É como se não fosse meu. Menos do que páginas dos livros que nunca li.

Pessoas, lugares, acontecimentos... Há exceções, mas a grande maioria parece nunca ter feito parte da minha vida. Não me lembro das sensações que me motivavam, dos sorrisos que me faziam feliz, das palavras que causavam emoções, dos beijos que eram tão especiais... não lembro mais o sabor que tinham.

E a questão não é memória fraca. A memória é uma das minhas melhores virtudes e piores defeitos. Chego a sentir perfumes, sabores, sentimentos, toques, ver detalhes, ouvir músicas, somente de fechar os olhos e lembrar de momentos que são meus... e como dou valor a eles! Mas estes não... Parecem nunca ter acontecido e sei que foram reais. Foram parte de uma história que construí para os outros, não para mim, e a melhor decisão foi deletá-la.

É meu passado, mas que não move nada, nem moinhos...

Não acreditava quando diziam que os 30 anos marcam na vida de uma mulher, mas é fato. Revisei os capítulos anteriores, fiz as devidas anotações e virei a página de forma tão definitiva que não há necessidade nenhuma de retornar a elas. Se esse livro da minha vida ainda existe, está entre tantos outros que não o encontraria.

Forçada pelas brincadeiras da vida, vi passar essa criança e tentei buscar quem fui naquele tempo. Descobri que a essência não mudou e sim minha atitude.

Todos os dias, alguém me encontra, me interroga com olhares, me procura na esperança de retomar uma antiga relação... Todos os dias! E só me fazem pensar que hoje não tenho medo de ser quem sou e me orgulho disso.

Sem ofensas, mas a mulher que aqui escreve não é a mesma de anos atrás, e não adianta buscá-la nas entrelinhas.

sábado, 3 de outubro de 2009

Segredos

Andava confusa pelas ruas, sozinha com meus milhares de pensamentos, contemplando a lua, sentindo a brisa fresca no rosto e lembrando do sonho que tive noite passada...

Foi reflexo da tristeza que me incomodou durante o dia anterior e que ainda não descobri a origem. A sensação de solidão era tão forte que chegava a doer! O sonho chegou para me trazer conforto... Havia um menino no meu colo dormindo e sentia a respiração de um homem perto do meu rosto, me apoiando em seu peito. Silêncio, contemplação. Não sei quem eram, somente os amava. A dor se dissipou com um simples delírio, uma fantasia, porque representava, para mim, segurança emocional e física. Acordei e permaneci na cama refletindo sobre os meus sonhos íntimos e nos meus segredos...

Quem não os tem?

Bons são aqueles que produzem felicidade só de atravessar nossos pensamentos, mesmo quando já se passaram anos. Aqueles que a gente guarda à sete chaves e que adora lembrar, deitada na cama, entre sorrisos solitários.

Outros, porém, produzem lágrimas e dor. São secretos porque não queremos que ninguém saiba de tanto que nos machucam. As feridas na alma são levadas até o final da vida e apenas o tempo nos ensina a conviver com elas e usá-las como fortaleza, com o propósito inocente de proteção. É mais fácil escondê-las; ninguém sabe o que vai no coração de uma mulher.

Mas... e quando essas feridas estão também no corpo?

Vi lágrimas nos olhos de uma amiga e hematomas escondidos. O coração ferido e humilhado por um homem covarde, a quem ela já dedicou muito amor, pai dos seus filhos, com quem teve histórias felizes e que hoje é protagonista do seu desespero. Sonhos destruídos, autoestima abalada, sensação de impotência e fragilidade. Não consigo me acostumar com esses relatos! Meu sangue corre de raiva pelas veias. A covardia não pode permanecer impune.

Como agredir quem não pode se defender? Não há justificativa. Era o amor que deveria direcionar as atitudes em um casamento, não a violência. A compreensão e o respeito que deveriam traçar os caminhos. Dói saber que serão para ela segredos de dor. Ela só queria ser feliz, como eu também sonho...

Até onde sonhos como o meu são possíveis? Só não quero perder a fé...

Tenho meus segredos. A maioria são felizes, mas não todos e preciso vencê-los, um a um, em cada experiência. Hoje me sinto mais forte, mais preparada e poderia me defender de qualquer agressão... Diferente do passado.

Lamento que não seja possível emprestar segurança...