Ana... na real!: sentir
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Deixar fluir...

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Terça agora fui treinar. Para quem não sabe, treino aikidô (arte marcial japonesa) e tem um tempinho razoável já, o suficiente pra saber que não sei nada.

Enfim... Fui treinar. Precisava.

Só quem pratica uma arte marcial entende essa necessidade. É bom até pra TPM. Um santo remédio. Não é um mero exercício físico. Se fosse, nem faria. Exercício por exercício tem uma infinidade por aí que são até mais "simples", "descomprometidos" e nem doem tanto. Sempre fui meio maluca por academia mesmo, qualquer uma, inclusive.

Precisava...

Precisava me centrar... me observar, de dentro pra fora. O tatame tem esse poder. Lá não dá pra fingir ser outra pessoa, nem pra você mesmo, nem quando é tudo que você mais quer. Impossível. Ninguém consegue fingir quando passa dos próprios limites e todo treino passo dos meus. Todo. Se não for uma superação física, é mental. Terça foram os dois.

Sensei advertiu quanto ao turbilhão que acompanha a faixa preta. Ele estava, mais uma vez, certo. Tentei me preparar pra isso, mas fracassei. Não funciona bem assim quando você olha e sua vida está de pernas pro ar. Até meu treino mudou... quer dizer, parece ter se perdido! Ainda não cheguei no ponto que o shodan reajusta seu centro (ou o descobre). Vi meus amigos quando chegaram lá antes de mim... Lembro que alguns eram tão desengonçados quanto eu hoje. Vi, analisei, pensei, mas tinha a ilusão de que estaria preparada pra esse momento. Bobagem!

Meus wazas não encaixam, meu movimento está travado, não consigo deixar fluir... Quem treina comigo sente. Alguns conseguem só criticar (mesmo que não falem nada) e, digo, não ajuda, só atrapalha. Outros... respeitam e sentem...

Acho que já escrevi sobre isso aqui... Gosto de gente que sente!

Terça meu waza me entregou... Meu companheiro no caminho marcial (Sergião) sentiu... Meus golpes estão impregnados de uma força imensa e totalmente desnecessária, truncada até, vontade de fazer acontecer a qualquer custo! Costumo dizer que tento usar uma força que não tenho (ou melhor, "acho que não tenho", como já me corrigiram).

Fluir... Respirar... Esvaziar a mente... Concentrar... Meditar... Tudo isso virou meu desafio! Tudo que deveria ser simples, não é mais. Descalça naquele tatame, não existe nada entre o que sou e o que demonstro. Ali eu me expresso, grito, choro e tudo faz parte do crescimento.

Precisava treinar, treinei e digo mais... treinei para ouvir o Sergião dizer: "Deixa fluir..." e ele estava falando da minha vida, não do meu treino.

Bora deixar fluir, galera! Lembrando que não é fácil, É TREINO!


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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A idade de ser feliz, Mario Quintana

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Existe somente uma idade para a gente ser feliz.

Somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los,
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores.

Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio
é mais um convite à luta que a gente enfrenta
com toda disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE,
também conhecida como AGORA ou JÁ
e tem a duração do instante que passa.


Mário Quintana, em A Recreativa (encartada na última Revista da Cultura).

Texto extraído do Digestivo Cultural, do meu caro amigo Julio.