
Parece contraditório, mas meu exame ontem para
Faixa Preta de Aikidô (Shodan) foi o
MARCO DO INÍCIO - início do caminho, início da compreensão diante tudo que aprendi até hoje dentro do tatame e que refletiu em cada instante da minha vida.
Meu sensei já tinha antecipado como me sentiria antes do Shodan e ele estava certo. De forma inexplicável e surpreendente, os meses que antecederam esse marco foram de mudança profunda e definitiva, como se a vida estivesse se encaixando, encontrando seu centro, como se as muitas perguntas que carregava no coração fossem enfim respondidas. Momentos de encontro: comigo mesma, com meus sentimentos, com meus sonhos. Reconquistei o brilho nos olhos e a fé em ser plenamente feliz. As dúvidas transformadas em certezas. Algumas bem duras e complexas, mas necessárias, como a compreensão do que é realmente importante e a clareza ao escolher as pessoas que continuarão (ou não) comigo no caminho daqui pra frente...
Um verdadeiro período de crescimento e consolidação de princípios.
Ainda não sou capaz de falar sobre o meu exame em si e acredito que nem serei em tempo algum porque a emoção foi bem mais forte do que o esforço, determinação e empenho de cada movimento realizado. Emoção maior do que é possível explicar. Não me lembro de nada... Lembro apenas do olhar firme da minha
ukê, Carlinha sensei (...que honra fazer o exame com ela!), e da emoção ao ouvir os aplausos dos amigos ao redor quando o exame chegou ao fim. Somente neste momento retomei a consciência e entendi que a etapa acabava ali e que começava outra muito mais importante...
Ouvir o sensei falando sobre mim, minutos antes de me dar a faixa preta, fez com que um filme passasse diante dos meus olhos. Foram anos de superação, de descoberta sobre mim mesma, de coragem ao encarar o que eu definitivamente não sabia fazer, de lutar dentro e fora do tatame para conquistar o que é mais precioso: o autoconhecimento.
No início, tinha como objetivo ser o orgulho dos que me ensinaram. Achava que era o objetivo mais nobre, afinal, apesar de não precisarem de mim, sempre me quiseram por perto, lutaram por mim, me defenderam, acreditaram, sempre viram a Ana que eu mesma não conhecia até chegar aos meus próprios limites e descobrir do que sou capaz. Porém, ontem, tinha no coração a certeza de que faria o exame por mim e por mais ninguém. Entendi que já tinha conquistado há muito tempo o orgulho, o carinho, o amor e o respeito de todos que estavam ali porque tive por eles o mesmo sentimento durante esses anos. Eles observaram de perto toda a minha transformação, eles me conhecem. O exame foi, sim, uma festa em comemoração a isso tudo... Foi um presente que conquistei com cada gota de suor, cada explosão de dor, cada lágrima contida, cada alegria pela superação. Não senti medo, senti responsabilidade e não fugi dela, como não fujo de nenhuma das minhas escolhas, como encaro os meus sentimentos, sonhos e até os meus medos. É parte do crescimento pessoal reconhecer nossa face humana... e identificar a divina.
Escreveria a vida toda se tivesse a pretensão de agradecer a todos os personagens desse meu caminho... São tantas histórias, foram tantas lágrimas e tantas alegrias! Impossível ser justa quando existe o desejo de agradecer aos que me proporcionaram chegar ao momento em que coloquei a faixa preta na cintura... mas vou tentar... Peço perdão aos demais, mas preciso falar de três pessoas em especial...

Agradeço ao nosso sensei, Marcelo. Foi seu carisma e sua energia que mantiveram viva em mim a vontade de treinar aikidô mesmo depois de anos sem contato e me trouxeram de volta para não mais sair. Você não pode imaginar que homem iluminado ele é! Sensei de aikido e de vida, sensível aos nossos sentimentos de tal forma que até nos assusta. Ele sente... tudo... de alguma forma... Ele é o coração do nosso dojo, o coração Takemussu Aiki. Sem ele, essa história não poderia ser contada, porque foram as lutas que travou que fizeram esse caminho possível para cada um de nós. É presente, atento e dono de uma energia impressionante. Forte em suas convicções e exemplo de guerreiro.
Obrigada, Sensei... Muito obrigada!Agradeço, do fundo do coração, ao sensei e amigo Daniel Melero. Não foi apenas o sensei que me ensinou a cair, a levantar, a encarar quem quer que fosse e que "aumentou minha capacidade pulmonar" (como ele gosta de dizer). Foi o sensei que me deu apoio e se tornou um amigo para todas as horas (mesmo!). Foi o amigo que não me deixou ir embora... que me segurou quando a emoção queria falar mais alto do que a razão... que foi duro para me chamar a atenção inúmeras vezes para as verdades da vida e me ajudou a enxergar quem eu sou... que me ensinou muito e provou que sua juventude não o impede de ser um homem de valor!
Obrigada, Dani... Sua discípula aqui deve muito a você.Agradeço ao meu sensei, amigo e médico Luis Melero. (êh família de malucos maravilhosos!) Posso dizer que se você passa por ele, é capaz de passar por qualquer coisa na vida! E não estou exagerando. Homem de grande valor, difícil de entender e fácil de amar. Espanhol de coração enorme, um monstro de lições de vida! Passei por ele para, ontem, receber um abraço apertado e a declaração de que estava orgulhoso de mim...
Inesquecível! Obrigada por me ensinarem o que é
BUDÔ... Obrigada por tornarem possível o momento que vivi ontem. Nunca vou me esquecer, nunca.
Registro também meu agradecimento sincero às minhas "irmãs-monstro", Carla e Flávia. Com a Carlinha fiz meu exame e para homenagear a Flavinha estava com unhas vermelhas e impecáveis!
Monstrinhas sim, mulheres e femininas sempre! rs Agradeço também às minhas monstrinhas Cinthya e Tasciane. Vocês são meu orgulho e a amizade de vocês meu bem precioso.
Precisava falar das meninas, não é? rsFinalizo abrindo meu coração...
Pela primeira vez, a solidão não me acompanhou no exame... Eu não estava sozinha... Meu coração estava completo, pleno e feliz.
Obrigada, meu amor... Obrigada por fazer parte da minha vida, obrigada por fazer a diferença e por ser exatamente como é. Agora...
o Caminho continua!!!